Mineralograma (Exame do Cabelo)

A primeira análise de um mineral no cabelo foi realizada pelo americano Hoppe, em 1858, quando quantificou os níveis de arsênico no cabelo de cadáveres exumados dez anos após seu sepultamento. Em 1945, Flesch propôs nova técnica de determinação dos elementos-traço presentes no corpo humano, através do exame do cabelo.

Na década de 60, o mineralograma foi graças ao desenvolvimento de novas e avançadas técnicas de pesquisa, redescoberto por pesquisadores.

A análise do cabelo é utilizada, frequentemente, em vários países, tendo as mais diversas aplicações: clínicas, ambientais, ocupacionais, forenses, jurídicas, epidemiológicas, antropológicas e estudos históricos.

Na Alemanha e Itália é utilizado para pesquisa de consumo de drogas por condutores de veículos automotores. Na França é utilizado como controle de doping no esporte, especialmente no ciclismo (sua introdução ocorreu no ano de 1998).

O laboratório Doctor’s Data (Chicago-EUA) foi o primeiro a colocar o mineralograma na rotina médica (1969). Desde esta época, atua em conjunto com Universidades e Institutos de Pesquisa, utilizando o mineralograma como instrumento de trabalho.

Juntamente com o Argonne National Labs, pesquisa o comportamento individual; com a UCLA, pesquisa distúrbios de conduta; com a Jefferson University, analisa o cérebro e outros tecidos; com a Marinha Americana, pesquisa tóxicos e avalia a performance individual; com a Universidade da Flórida, tenta relacionar perfis de violência com os mineralogramas. Trabalha, ainda, em conjunto com as Universidades da Geórgia, Illinois, Massachusetts, Texas, Wisconsin e Wyoming.

Desde 1980, a Environmental Protection Agency (EUA) recomenda o cabelo como o tecido de eleição para a determinação de metais tóxicos em humanos.

A determinação de elementos – traço é mais fidedigna se realizada em amostras de tecido (cabelo, pele ou unha), sendo mais facilmente realizada no cabelo. Os níveis dos minerais presentes são dez a quinze vezes maiores do que os níveis sanguíneos.

O couro cabeludo humano possui, em média, de 80.000 a 150.000 fios. O cabelo é composto por água (4 a 13%), proteínas (85 a 93%), lipídios (2,5%) e resíduos (0,21 a 0,80%).

O cabelo ideal para a realização do mineralograma é o do couro cabeludo; na falta deste, determinações podem ser realizadas em pelos axilares ou pubianos. Neste caso, obrigatoriamente deve ser mencionada a fonte, pois a interpretação é diferente.

O cabelo da cabeça revela a situação atual do indivíduo (últimos dois meses), ao passo que os pelos axilares e pubianos refletem períodos mais prolongados, por não estarem em constante crescimento e renovação.

São utilizados apenas os dois centímetros proximais, sendo o restante desprezado, pois interessa avaliar apenas o perfil mineral dos últimos dois meses do paciente.

Uma amostra (com 250mg) é colhida da região occiptal, por ser esta a mais irrigada, portanto em maior contato com os elementos trazidos pela corrente circulatória.

A amostra a ser encaminhada para determinação não pode haver recebido tintura e/ou permanente no último mês, uma vez que estes procedimentos interferem diretamente com alguns elementos do mineralograma.

Xampus anticaspa também não devem ser usados até sete dias antes da coleta do material, pela possível interferência com dosagens de selênio e/ou de zinco. É indicado lavar o cabelo com um xampu neutro durante uma semana antes da realização do exame.

A amostra ideal de cabelo deve pesar pelo menos 250mg. Quantidades menores apresentam resultados menos fidedignos, porque sofrem a aplicação de um fator para “corrigir” a amostra; assim, pequenos “desvios” podem ser distorcidos, tornando o exame impreciso.

Um bom mineralograma examina, pelo menos, vinte elementos. Existem seis grandes laboratórios internacionais realizando este exame, que utilizam a técnica denominada “espectrofotometria de absorção atômica”.

Os laboratórios mais conhecidos são: Doctor’s Data (Chicago), Trace Minerals (Bolder – Colorado), Trace Elements (Dallas – Texas), Omega Tech (Cleveland- Ohio) e Great Smokies Diagnostic (Asheville – Carolina do Norte).

Os quadros de referência dos mineralogramas baseiam-se em estudos sobre uma população de indivíduos saudáveis, de ambos os sexos, respeitada a faixa etária. Com os níveis e proporções de minerais obtidos nesses grupos, uma curva de Gauss foi traçada e os desvios padrão foram computados.

No quadro de referência, um desvio padrão acima/abaixo da média equivale a 68% da população. Dois desvios padrão acima ou abaixo da média contêm 95% desta população. Mais que dois desvios padrão indicam o nível (acima e abaixo) em que se acha aproximadamente 5% (ou menos), da população saudável selecionada.

O cabelo, sendo um tecido excretor, contém uma variedade de minerais provenientes de outros tecidos. Os níveis dos diferentes minerais nele depositados refletem o excesso, a deficiência ou a má distribuição destes elementos no organismo e sua implicação nos processos biológicos dos quais participam.

O exame do cabelo é um importante teste auxiliar no diagnóstico da gênese de diversas patologias. O cabelo reflete as reservas minerais do corpo, acusando precocemente os desequilíbrios a nível intracelular, bem como o acúmulo de elementos tóxicos nos tecidos.

O primeiro estágio dos mecanismos patogenéticos de doenças carenciais é a ingestão insuficiente de oligoelementos; a segunda etapa é a compensação metabólica, que ocorre com o estabelecimento dos sistemas alternativos; a terceira é a descompensação dos sistemas metabólicos, e a quarta é a fase das modificações bioquímicas e funcionais, que se caracteriza pelo surgimento de sinais e sintomas.

O excesso de minerais tóxicos, além do desvio-padrão, contribui para o desequilíbrio dos minerais nutrientes.

O pelo pubiano é ideal para confirmar ou descartar a intoxicação crônica por metais pesados, pois elimina a possibilidade de contaminação externa.

Níveis baixos de cobre, zinco, manganês, ferro e cromo estão associados à produção insuficiente de HCl, uma vez que a absorção desses minerais é muito sensível às variações do pH.

O HCl é especialmente necessário para a absorção de cálcio, zinco e para a ação das enzimas digestivas, incluindo a própria anidrase carbônica, enzima zinco-dependente, responsável pela produção do HCl (entre outras funções). Torna-se necessário, então, corrigir sua produção.

Bioquímica e imunologicamente, o corpo humano leva até seis meses para recuperar-se de um stress e da síndrome de má absorção.

Preparados para o cabelo, como tinturas, permanentes e descolorantes, são a causa mais comum da elevação de certos elementos no mineralograma, como, por exemplo, o níquel, cálcio, magnésio, cobalto, iodo, cobre, cromo, prata, estrôncio, cádmio, chumbo e titânio.

O número de elementos contaminantes presentes e a intensidade dos desvios dependem da composição de cada produto.

Personalidade violenta pode ser evidenciada no mineralograma pelo aumento de magnésio, cálcio, sódio e potássio, combinado com a diminuição dos teores de cobalto e lítio. O manganês pode apresentar-se diminuído ou elevado.

Em 1985, a Corte Federal de Justiça do Estado da Virgínia (EUA) reconheceu a análise capilar como método científico fidedigno para a determinação de minerais tóxicos, em processos judiciais.

Os distúrbios de aprendizado, frequentemente, envolvem déficit dos oligoelementos: manganês, cromo, cobalto e lítio, e excesso dos metais tóxicos chumbo, cádmio, mercúrio e alumínio.

A má absorção se caracteriza no mineralograma pelo déficit de cinco ou mais elementos (acima de dois desvios-padrão). Também pode estar relacionada à digestão inadequada.

Alterações na permeabilidade seletiva intestinal permitem a absorção indiscriminada de substâncias presentes no conteúdo intraluminal (como minerais tóxicos, por exemplo).

Durante o stress, a liberação maciça de adrenalina leva à produção excessiva de RLs, que provocam alterações na permeabilidade intestinal, diminuindo a absorção de nutrientes.

O uso crônico de antagonistas H2 (cimetidina, ranitidina) ou inibidores da bomba de prótons resulta na carência de zinco, vitamina B6 e vitamina B12 devido à hipocloridria.

O uso indiscriminado de antibióticos e as alergias alimentares também alteram a permeabilidade seletiva. Em 82% dos pacientes com alergias alimentares ocorre esta alteração; na doença de Crohn, em 100% dos pacientes; na colite ulcerativa, em 45%.

A absorção de vitaminas e minerais é alterada pela disbiose intestinal (desequilíbrio entre a flora normal e a patogênica). O intestino humano abriga 100 bilhões de bactérias; 1% delas, patogênicas.

A disbiose pode ser desencadeada pelo stress, giardíase, alcoolismo, quimioterapia, baixa de imunidade, envelhecimento, corticoides e radiação.

As bactérias saprófitas produzem antibióticos naturais, além de ter funções digestivas e imunológicas (aumentam a resistência às infecções); ainda, concorrem para a manutenção do pH intestinal, regulação da motilidade intestinal, absorção de vitaminas e produção de enzimas.

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